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O imapacto da epidemia de Zika virus sobre as mulheres nas redes de Brasil

Posted on 6 mayo, 2016

Nos últimos dois anos a população brasileira vem sofrendo com o rápido crescimento e disseminação de duas doenças pouco conhecidas para os brasileiros, fato que vem colocando a vista a ineficácia e a ineficiência das ações de comunicação, prevenção e assistência dos organismos da área da saúde pública do país e o elevado despreparo destes para lidar com eventos desta magnitude.

Uma é o Zika Vírus, que já está sendo considerado uma ameaça à saúde pública mundial.

Este é uma espécie de vírus que causa uma febre intermitente, com média de 3 a 7 dias de duração, sendo transmitido pelo mesmo vetor que transmite a Dengue e a Chikungunya, o Aedes Aegypti.

Ademais já existem indícios que o vírus pode ser transmitido por relações sexuais e transfusões sanguíneas, segundo informações da OMS.

Outro importante comprometimento atribuído ao vírus é que este pode causar Microcefalia em fetos, uma doença neurológica, até então rara, que vem sendo diagnosticada em crianças nascidas de mães que tiveram o vírus Zika durante a gestação e que o principal sinal é a medida da circunferência da cabeça da criança numa medida significativamente menor do que de outros da mesma idade e sexo, podendo levar a deficiência e, em muitos casos, à morte dos fetos e recém nascidos.

Com o surgimento de um surto de Microcefalia, principalmente na região nordeste do país (1.500 casos até out/2015), e com os estudos que mostram a relação entre o Zika Vírus e esta condição fizeram com que o Ministério da Saúde colocasse em alerta máximo tais doenças, com o foco principalmente nas gestantes e mulheres que estão querendo engravidar.

A situação epidêmica e a correlação de tais doenças com as condições acima descritas impactam principalmente nas mulheres, por causa da maior vulnerabilidade durante o período de gravidez. Esta situação atrelada ao desconhecimento e às declarações desencontradas e pouco fundamentadas das autoridades da saúde pública, uma das quais propunha que as mulheres simplesmente evitassem engravidar como medida preventiva sinalizando que “perdemos a batalha para o mosquito”, ajudaram a disseminar o medo e a falta de confiança nas instituições responsáveis pela saúde pública no Brasil.

Para avaliar como o sentimento da população, notadamente as mulheres, em relação a este problema foi desenhado um projeto de Escuta Inteligente na Internet para aferir o que se estava falando nos diferentes canais da internet e nas redes sociais para medir e conhecer o tamanho do problema, por meio do uso da ferramenta COSMOS. Durante este processo pudemos observar que há nas conversações uma clara ligação entre “Gravidez” e “Microcefalia”, fato que demonstra uma elevada preocupação com a gravidez manifestada pelas mulheres, principalmente quando são mencionados o aumento no número de casos de fetos e bebês com Microcefalia.

 

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Outro tema muito importante detectado e que vem surgindo atrelado às conversações sobre a Microcefalia é o aborto. De todas as conversações sobre o aborto encontradas na internet, neste monitoramente, mais de 93% estavam associadas à Microcefalia.

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A questão do aborto voltou a ser destaque nas conversas com o surgimento de casos de fetos e bebês com Microcefalia. Esta questão voltou a ter importância já que esta se voltou à discussões em defesa da descriminalização do aborto para estes casos. Entretanto, grande parte da conversação produzida em relação a estes temas foi devido a pesquisas que mostravam a reprovação da de grande parte dos brasileiros a este procedimento e existência de projetos de lei que buscavam aumentar as penas criminais para aborto, mesmo em casos de Microcefalia.

Os órgãos nacionais responsáveis pela saúde pública e a Organização Mundial de Saúde não tem conseguido responder com eficácia e velocidade aos problemas que a população vêm sofrendo. As consequências dessas debilidades têm causado alto impacto sobre a sociedade, que vem sofrendo com a proliferação e crescimento de epidemias rotineiras como a dengue, e outras novas, como a Zika e a Microcefalia.

Percebe-se que esta condição se deve muitas vezes à estrutura organizacional na qual foram montadas, que remete a décadas passadas, e à falta de ferramentas para planejar suas ações, monitorar e avaliar o crescimento e disseminação de doenças, para que possam responder de maneira mais rápida à sociedade e ser mais eficazes nas ações preventivas e no manejo de crises, somado ao “analfabetismo” destas organizações de operarem governo em rede.

Com ferramentas que permitem escutar a sociedade de maneira global e em tempo real através da internet, estas organizações poderiam monitorar e acompanhar o aparecimento de novas doenças no momento em que se começa a falar sobre elas nas redes sociais, não dependendo dos informes oficiais, demorados e burocráticos, que são trocados entre órgãos de saúde, permitindo uma maior capacidade de resposta para atuar antes que estas se tornassem surtos, endemias e epidemias, até mesmo antes que começassem a se espalhar geograficamente, dentro de um país ou entre países.

As próprias epidemias de Zika Vírus e da Microcefalia no Brasil são um exemplo claro dessa baixa capacidade de resposta dos órgãos. Em menos de dois anos doenças que já vinham afetando a América Latina começaram a aparecer no estado da Bahia e, antes que pudessem ser tomadas ações preventivas ou informativas efetivas, já se espalharam pelo Brasil causando também um surto de Microcefalia que agora se tornou uma ameaça a todas as gestantes e mulheres que desejavam engravidar. Lembrando que essa disseminação se deu através de um mosquito muito conhecido no Brasil, que vem causando surtos de dengue epidêmicos a muito tempo.

Outro exemplo da importância de se contar com um monitoramento e análise da evolução de uma conversação na internet, é a possibilidade de detectar o aparecimento de novas doenças e poder atuar de maneira veloz e eficaz na prevenção e conscientização da população, como é o caso da Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca os nervos danificando-os gravemente, sobre a qual conta com poucas informações disponíveis para a população, e que recentemente foi ligada ao Zika Vírus, que é um agente que pode desencadear esta síndrome. Sem tratamento apropriado pode causar muitos danos aos afetados, não somente pela contaminação em si, mas principalmente pela desinformação e pelo medo.

Além disso, pode-se avaliar o alcance e a efetividade das campanhas e dos programas lançados, escutando e monitorando a repercussão e resultados destas na população através das redes. Também seria possível direcionar os recursos e esforços para aqueles grupos e regiões mais afetadas, adaptando os programas e as campanhas.

Outro recurso de alto valor obtido com a utilização destas ferramentas seria observar o que se fala no mundo sobre novas medidas preventivas, campanhas exitosas, exemplos similares, desenvolvimento de possíveis medicamentos e vacinas, como atuaram outros países e regiões para combater essas doenças, etc. de maneira a obter conhecimentos que poderão servir de base para o redirecionamento ou criação de novas ações.

Com o recurso Radar da ferramenta COSMOS podemos também identificar em todas as conversações quem são os formadores de opinião, os especialistas e os referentes dentro desses assuntos para desenhar estratégias em que eles possam cooperar no planejamento e na ações junto à população, de modo a poder aumentar o grau, amplitude e o impacto delas.

Sobre 

Adriano Moura es el coordinador de analistas de Autoritas Brasil.

What Others Are Saying

  1. PereJ Mitjans (@perejoanmitjans) 6 mayo, 2016 at 10:42 am

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  2. Autoritas Brasil (@Autoritas_BR) 6 mayo, 2016 at 11:38 am

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